Os números contam essa história de contrastes. O investimento global atingiu US$ 202,3 bilhões, um salto de 75% sobre 2024. Impressionante. Mas quando olhamos para o impacto real, a fotografia muda: 88% das organizações já usam IA em pelo menos uma função, porém apenas 6% reportam efeito significativo no resultado financeiro.
Esse gap não é um bug. É um sintoma. A maioria das empresas ainda trata IA como uma camada adicional sobre processos antigos, como se bastasse instalar um plugin mágico para transformar o negócio. Não basta. A tecnologia funciona, sim. Mas apenas quando redesenhamos processos em vez de simplesmente adicionar ferramentas.
O ano também marcou uma virada conceitual importante: a consolidação dos agentes autônomos como paradigma dominante. OpenAI, Anthropic, Google, Microsoft, AWS, Meta, Nvidia e Salesforce lançaram plataformas ou infraestrutura comercial de "digital labor", sistemas que não apenas respondem, mas planejam, executam e aprendem. A IA deixou de ser assistente para começar a ser colaboradora.
A expectativa para 2026 é que 40% das aplicações empresariais incorporem agentes de IA específicos, comparado a menos de 5% em 2025. Se isso se confirmar, não estaremos mais discutindo se a IA funciona. Estaremos discutindo quem ainda não aprendeu a trabalhar com ela.